
Está finalmente encontrado o novo Reitor da Universidade
Eduardo Mondlane (UEM), a maior e mais antiga instituição de ensino superior em
Moçambique. Chama-se Manuel Guilherme Júnior, membro do “grupo de choque”,
constituído para defender a honra e imagem do Chefe de Estado, Filipe Jacinto
Nyusi.
Manuel Guilherme Júnior, que se tornou, nos últimos anos, a
principal figura da Televisão de Moçambique (TVM) na análise de assuntos
políticos do país, foi nomeado esta segunda-feira pelo Presidente da República,
sob proposta do Conselho Universitário da UEM. Irá substituir Orlando António
Quilambo, que ocupava aquele cargo desde Maio de 2010.
A par de Egídio Vaz, Julião Arnaldo, Elísio De Souza, Dércio Alfazema e Gustavo Mavie, Manuel Guilherme integrou a lista de analistas que “pululavam” pelas televisões moçambicanas durante o julgamento do caso das “dívidas ocultas”, com objectivo de defender Filipe Nyusi e a Frelimo no caso.
O novo Reitor da UEM, refira-se, integrava a lista de três
nomes enviados ao Chefe de Estado pelo Conselho Universitário da UEM, após as
eleições realizadas a 30 de Março último por aquele órgão universitário para a
substituição de Orlando Quilambo. No entanto, Manuel Guilherme Júnior era o
segundo da lista.
Lembre-se que desde 2016 que a nomeação do Reitor da UEM é
antecedida por uma eleição interna, como forma de “garantir” que o novo gestor
seja da instituição.
Informação constante no site da UEM indica que Manuel Guilherme Júnior é membro do Conselho Universitário daquela instituição desde 2012. Diz ainda que tem Doutoramento em Direito pela UEM; Mestre e Pós-Graduado em Direito Comercial Internacional, pela Faculdade de Direito da Universidade de Macau (2008); e Licenciado em Direito, pela Faculdade de Direito da UEM (2005).
No seu percurso académico, consta o facto de ser docente e
investigador na Faculdade de Direito da UEM e Director do Centro de Estudos
sobre o Direito da Integração Regional da UEM. É autor do Manual de Direito
Comercial Moçambicano Vol. I (2003) e de vários artigos científicos,
destacando-se “Protecção Jurídica do DUAT em Moçambique (2011), Revista da
Faculdade de Direito da Universidade de Macau; Acordos Multilaterais Ambientais
e a Facilitação do Comércio Internacional (2014; The COMESA- SADC-EAC Tripartite
Free Trade Area: New Regionalism and Lessons from the European Union (2016),
Way-ZEI Paper nr. 29, Center for European Integration Studies”.
Como gestor, Manuel Guilherme Júnior foi Director da
Faculdade de Ciências Sociais e Humanidades da Universidade Zambeze, na cidade
da Beira (Sofala), e Coordenador do Curso de Direito na Faculdade de Economia e
Gestão da Universidade Católica, também na cidade da Beira.
Em Setembro de 2020, quando o país debatia os limites
constitucionais para a declaração e renovação do Estado de Emergência (o país
viveu quatro meses de Estado de Emergência), o jurista defendeu que o Estado de
Emergência pode ser decretado várias vezes pela mesma causa, pois, a
Constituição da República omite o número de vezes em que se pode decretar o
Estado de Emergência devido à mesma causa. A referida tese foi publicada numa
obra, intitulada “Regime Jurídico do Estado de Emergência em Moçambique: o caso
do Estado de Emergência declarado devido à COVID-19”.
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