Mais uma estória cómica acaba de ser contada pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC). Nesta quarta-feira, a delegação do SERNIC na Cidade de Maputo convocou a imprensa para apresentar três supostos integrantes da quadrilha dos raptos, que voltou a aterrorizar a cidade de Maputo.
A suposta quadrilha é composta por três indivÃduos, sendo
duas mulheres e um homem, com idades compreendidas entre 29 e 40 anos. Segundo
o porta-voz do SERNIC na capital do paÃs, Hilário Lole, a suposta quadrilha foi
detida, quando se preparava para executar mais um rapto.
Lole conta que o SERNIC obteve esta informação durante das investigações em curso para o esclarecimento de diversos crimes de raptos, que têm ocorrido a nÃvel da cidade de Maputo e ao longo de todo o paÃs.
“Eles arrendaram uma residência, em Janeiro, por um perÃodo
de três meses, sendo que o valor foi pago em numerário (600 mil Meticais). A
casa só foi ocupada no dia 15 de Fevereiro. Também se constatou que os
referidos indivÃduos terão adquirido uma viatura num dos parques da cidade de
Maputo, que também seria usada para a prática deste rapto”, afirma Lole,
sublinhando que um dos indivÃduos é indiciado de ter participado de dois raptos
ocorridos em Abril de 2021, na cidade de Maputo, sendo que teve lugar no bairro
do Alto-Maé (a 11 de Abril) e outro no dia 13 de Abril nas proximidades do
consulado português.
Entretanto, Lole não conseguiu explicar aos jornalistas por
que razão o SERNIC não usou a informação em sua disposição para deter os
criminosos em flagrante delito. É que uma detenção em flagrante delito
permitiria desvendar parte do véu que cobre o crime de raptos.
Lembre-se que, neste mês, já ocorreram dois casos de raptos, na capital do paÃs, todos até aqui não esclarecidos pelo SERNIC. Aliás, o não esclarecimento de casos criminais, em particular raptos, é algo já normalizado na PolÃcia moçambicana.
Os detidos negam estar envolvidos com os crimes de raptos,
sendo que foram contratados para realizar certos trabalhos. As duas indiciadas
dizem que foram contactadas para realizar trabalhos domésticos, mesma estória
que é contada pelo indiciado, que foi encarregue de arrendar a casa e comprar a
viatura. No entanto, estranhamente todos dizem não conhecer os seus patrões.
Refira-se que os agentes do SERNIC têm sido apontados como mentores dos crimes de rapto. Aliás, há dias, a Procuradoria-Geral da República acusou agentes do SERNIC e da PRM (PolÃcia da República de Moçambique) afectos à Brigada anti-raptos de terem protagonizado um sequestro em 2021, cuja vÃtima era uma cidadã que se dedica ao tráfico e venda de drogas. (Carta)
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