Nampula (IKWELI) – A 6ª Secção do Tribunal Judicial da
província de Nampula, no norte de Moçambique, julgou na última sexta-feira (12)
o caso de um pai que há dois anos violou sexualmente a filha e a neta, ambas
menores de idade, no povoado de Thokoma, no Posto Administrativo de Lunga,
distrito de Mossuril
Trata-se de P. Assane, de 50 anos de idade, que em 2019 terá
mantido relações sexuais, primeiro com a sua enteada actualmente com 15 anos de
idade e que na altura dos factos tinha 13 anos. Seguidamente o indiciado
manteve relações íntimas com a neta, actualmente com 10 anos de idade.
Pressupõe-se que as duas menores constituíam “pão de cada
dia” do velhote, mas foi Rapia Mussa, por sinal sua esposa que, pela primeira
vez, terá lhe encontrado em flagrante numa manhã de um belo dia do mês de Abril
de 2019, no seu próprio quarto junto com a filha H, ambos sem roupa.
“Ele deixou-me na machamba e disse que iria a praia, mas
quando voltei para casa encontrei meu marido sem roupa no quarto com a filha”,
contou a dona Rapia em declaração ao Tribunal.
“Aquilo espantou-me, não sei dizer com exatidão se é que o
acto foi consumado ou não, na verdade quando cheguei o sexo dele estava mole, não
controlem se a esteira estava molhada ou não, porque fiquei sem força, e logo
de seguida sai para fora e comuniquei a vizinhança sobre o que acabava de ver”,
continuou aquela mãe, em resposta às questões persistentes da Juíza do
processo.
Para a segunda vítima, a neta S que na altura tinha 8 anos
de idade, o indiciado terá lhe convidado para um alegado passeio à praia, mas
acabou desviando o destino para uma mata onde consumou-se o acto sexual.
“Quando chegamos na mata, ele estendeu a minha capulana e
começou a doer-me aqui em baixo e depois deixou-me molhada”, contou a menor,
que acrescenta tratar-se da primeira vez que o avô optava por aquele
comportamento impiedoso.
Depois do incidente, P. Assane avisou a neta para que o que acabava de acontecer não fosse contada a ninguém, muito menos a sua avó, visto que se assim acontecesse, iria tirar a vida. Entretanto, a notícia espalhou-se no bairro porque a pequena não viu razões de esconder às amigas sobre o que tinha acontecido e, por sua vez, elas fizeram chegar a informação aos pais que trataram de denunciar
Ministério Público exige pena máxima ao réu
O Ministério Público, representado pelo Procurador Cristóvão
Mulieca, exige uma condenação exemplar e pesada ao réu porque, segundo
argumentou, estão preenchidos todos os requisitos para o efeito. Aliás, no
entender do procurador, a condenação de P. Assane nos moldes que sugeriu é no
sentido de desencorajar tais práticas nas comunidades.
“Ele foi flagrado com a mãe quando estava completamente nu com uma criança e dentro de um quarto. Portanto, não precisa de ir numa escola para poder fazer qualquer tipo de ginástica para saber o que aquela pequena teria passado”, referiu Cristóvão Mulieca.
“Não vai naquilo que o réu aqui nalgum momento mesmo que não
tenha dito e nós pensarmos que ela quis. A idade que as duas pequenas têm, a
vontade delas não é relevante. Era de ver o réu aqui presente obstar que tais
factos ocorressem, mas pelo contrário ele mesmo que incentivou ou que provou
com que ocorresse os factos e vimos que não há dúvidas de que o réu deixou
sequelas que vão durar toda a vida daquelas pequenas”, continuou o procurador.
“Com isso, nós instância do Ministério Público, nós como
donos da acção penal, vimos que estão preenchidos todos os requisitos para que
o réu seja responsabilizado com penas exemplares e pesadas porque, afinal de
contas, ele praticava esses factos de forma continuada. Portanto, essa
continuação criminosa, portanto, deve servir para uma agravante para a pena
máxima para o réu”, rematou Cristóvão Mulieca.
“A defesa se posiciona em como deve-se observar todo
dispositivo que milita para este réu”, precisou em poucas palavras, Júlio Ernesto
Ripiha, advogado do réu.
“Não tenho algo a dizer, somente tenho de agradecer a Deus”,
posicionou-se o réu quando dado a palavra para se defender pela última vez. A
sentença, segundo garantias da juíza, será lida no próximo dia 22 do mês em
curso. (Constantino Henriques)
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