A onda de raptos que abala a sociedade moçambicana levou a
Associação Moçambicana de Médicos a organizar uma marcha, entretanto impedida
pelas autoridades policiais e do Município de Maputo que se escusaram a falar
dos motivos.
Dos três cidadãos moçambicanos raptados nos últimos dias, um
deles é o médico Basit Gani, facto que levou a associação profissional a organizar
esta acção de repúdio.
Milton Tatia, presidente da Associação Médica, não compreende
as razões deste impedimento.
“O Município alega que a marcha pode constituir uma fonte de
propagação da Covid-19, mas nós informamos que estaríamos todos de máscara,
iríamos respeitar o distanciamento, iríamos ter álcool para desinfecção, mas
mesmo assim foi indeferido”, conta Milton Tatia para quem esta atitude “parece
muito estranha, pois se os dirigentes que nós elegemos não conseguem estar
sensíveis a um assunto como este a gente pergunta quando é que estarão sensíveis”
.
A marcha prevista para sábado foi impedida por um forte contingente
policial, o que para o bastonário da Ordem dos Médicos, Gilberto Manhiça, é
incompreensível.
“Nós não somos criminosos, não vejo qual é a
contextualização de trazer um grupo de homens armados para conter a
manifestação dos médicos que apenas manifestam o seu desagrado pelo facto do
seu colega ter sido raptado, portanto é completamente despropositado”,
questiona Gilberto Manhiça
Basit Gani é vice-presidente da Associação Moçambicana de
Empresários e Empreendedores Muçulmanos, que juntou a sua voz ao repúdio a este
crime.
“Esta é uma questão que nos apoquenta, nos transtorna de
todas as formas, chegamos a um extremo em que é preciso dizer chega”, sulinha
Muhammad Abdullah, daquela organização.
O responsável pelo pelouro de segurança da Confederação das
Associações Económicas de Moçambique (CTA), Pedro Baltazar, diz que no âmbito
da sua contribuição, já foram entregues aos Ministérios da Defesa Nacional e do
Ministério do Interior o resultado do inquérito feito com outros empresários,
incluindo os sequestrados, concedendo informações privilegiadas e sugestões
para o combate dos sequestros.
“Nós queremos resultados das investigações que vêm sendo
feitas, queremos ver mudanças de como as autoridades com o fenómenos dos
raptos, notamos as bastas vezes que temos uma polícia musculada, nós pugnamos
por uma polícia inteligente, apetrechada a chamada polícia científica, com
meios idóneos para combater esta questão dos raptos”, afirma Pedro Baltazar.
ACTA afirma estar ao dispor do Governo para apoiar no combate aos raptos no país.ACTA afirma estar ao dispor do Governo para apoiar no combate aos raptos no país.
0 Comentários