Incomoda-me essa normalização de assassinatos pelo Estado
moçambicano a concidadãos indiciados APENAS de serem rebeldes e agirem de forma
contrária à lei. Um simples exercício mental permite-nos perceber que matar
também é um vício. No dia em que não houver mais Nyongos com comportamentos que
são de todo condenáveis, esses senhores viciados em matar vão passar a
aniquilar inocentes.
E quando a Amnistia Internacional aparecer a gritar, diremos
que é uma tentativa de desacreditar um Estado soberano. Não é assim que se
fazem as coisas num Estado de Direito Democrático. O Estado moçambicano deve
começar a capturar os fora da lei e levá-los à barra da justiça. Não matar os
Nyongos isoladamente como se as reivindicações apresentadas por esses senhores
não espelhasse vontades de alguns moçambicanos lúcidos. O que resolvemos ao
abatar Nyongo sem o julgar? O DDR passa a estar mais transparente? A paz passa
a estar assegurada? A oposição tornasse coesa, coerente? A democracia do país
sai fortalecida e com garantias de se robustecer? Duvido.
Desde 2015 que a imprensa moçambicana e não só andam a diabolizar o grupo que protagonizou o
calote – o ACR e os Nhangumeles desta
vida. Hoje, todos assistimos ao julgamento, e lendo os comentários nas redes
sociais percebemos que parte significativa dos que acusa(va)m esses
moçambicanos de serem bandidos não armados começam a dar razão a alguns pela
versão que o nossos concidadãos que
empurraram o país para o abismo estão a apresentar sobre o calote. Porquê? Tudo
porque o Estado conseguiu dar oportunidade a esses mabandidos de se explicarem e dizerem de viva voz o que
realmente aconteceu com as dívidas ocultas. Não se tratar de concordar com
eles. Trata-se de saber a outra verdade do que aconteceu. O princípio do
contraditório que nos esclarecesse.
Mais do que isso, confesso que estou preocupadíssimo com a
quantidade de sangue nas mãos do PR Nyusi desde que assumiu a sua presidência.
São várias almas e famílias que não se vão lembrar com carinho do PR Nyusi
É isso que devíamos ter feito com o Nyongo. Capturá-lo e
julgá-lo. Não matar. Aliás, o Estado tem a noção disso, de tal forma que a PRM
emitiu uma nota de imprensa a convidar os jornalistas para falar da captura do
Nyongo. Não do abate ou assassinato sem detalhes que nos permitam perceber se o
homem se rendeu ou não durante a operação de confrontação entre o Estado e a
Junta Militar.
Eu estou triste com a morte deste senhor, não por concordar
com a sua forma de reivindicação, mas por ser um contestatário de um processo
eleitoral do seu partido que não foi de todo transparente. Mais do que isso,
confesso que estou preocupadíssimo com a quantidade de sangue nas mãos do PR
Nyusi desde que assumiu a sua presidência.
São várias almas e famílias que não se vão lembrar com carinho do PR Nyusi. A lista é enorme. Vale assinalar que a saúde mental é um dos maiores problemas do século XXI e a idade do chefe de Estado é ascendente. Ou seja, o PR está a caminhar para a lista dos sexagenários. É perigoso termos um futuro Presidente assustado com o sangue do passado que se derramou durante a sua governação. Não é bom nem para ele nem para Moçambique. Espero que haja um esclarecimento cabal das circunstâncias da morte do Nyongo. Que se investigue e que a imprensa faça o seu papel. Há dois jornalistas que ganharam o Prémio Nobel. Nós podemos ser parte da História sobre a verdade.
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