Durante as duas primeiras audições, notou-se um esforço descomunal do juiz da causa em interromper a explanação dos réus com outras interpelações não relacionadas com o assunto, sempre que se pronunciava o antigo ministro da Defesa. O mesmo fazia questão de repisar várias vezes sempre que fosse citada a participação de Armando Guebuza ou outra figura ligada ao governo anterior. Trata-se do mesmo juiz que há algumas semanas indeferiu o pedido da defesa de António Carlos de Rosário que pretendia que Nyusi fosse ouvido numa lista de 30 declarantes, incluindo o pagador Jean Boustani que, o Evidências apurou, havia se prontificado a falar por videoconferência. Este facto tem ressuscitado os temores de que possa tratarse de um julgamento político, telecomandado pelo partido Frelimo, sobretudo a ala mais achegada a Filipe Nyusi. Curiosamente, o mesmo tribunal, autorizou sine die que Manuel Chang seja ouvido “na qualidade de declarante, quando estiver no território nacional, momento em que será marcada uma data para o efeito”, após um requerimento selectivo da Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM), assistente do processo. Neste momento, há um esforço titânico para proteger Filipe Nyusi do processo, procurando ocultar a sua intervenção. Jean Boustani, no julgamento em Nova York, indiciou o actual Presidente da República no recebimento de um suborno no valor de USD 1 milhão, através de uma conta da sua empresa denominada Sun Flower sedeada no Dubai, curiosamente, onde os restantes arguidos também abriram contas para receberem o dinheiro do suborno. O valor era destinado para a sua campanha para a eleição de 2014. Com o judiciário fortemente controlado pelo partido no poder, acredita-se que a Frelimo esteja envolvida numa campanha para protege-lo da justiça para evitar mais erosão à imagem do próprio partido, também ele associado ao escândalo das dívidas ocultas como um dos beneficiários de pelo menos USD 10 milhões recebidos na Conta do Comité Central, em 2014, curiosamente, um ano de campanha eleitoral. Uma lista de 15 pessoas, entre analistas com ligações ao regime e membros da sociedade civil, que inclui Egídio Vaz e seus lacaios, um autoproclamado amigo do Presidente Nyusi, com quem toma vinho em Goba e que normalmente insulta nas redes sociais em seu nome, foi tornada pública, há dias, naquilo que seria um plano de lavagem de imagem do Presidente moçambicano para, através da participação em programas em canais ligados ao partido ou cooptados, dissipar na opinião pública qualquer associação de Nyusi ao maior escândalo financeiro do país.
0 Comentários