O líder da RENAMO manifestou-se este domingo (13.06) bastante
preocupado com o incumprimento por parte do Presidente de Moçambique, Filipe
Nyusi, no processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) do
braço armado do principal partido da oposição.
Em declarações aos jornalistas, no aeroporto de Quelimane,
Ossufo Momade, disse que o partido está preocupado porque já "passaram
meses que não tem nenhum sinal sobre o enquadramento dos desmobilizados da
RENAMO".
"A parte da RENAMO está a cumprir em relação a
desmobilização dos nossos combatentes. No dia 21 [de junho] vamos desmobilizar
a base de Tete", anunciou o líder do maior partido da oposição, que chegou
à Zambézia para presidir a conferência da juventude, para a eleição do novo
líder da Liga da Juventude da RENAMO.
De acordo como líder da RENAMO, o partido está à espera há
bastante tempo que os seus desmobilizados fossem enquadrados, tal como ficou
acordado com o Governo moçambicano. Mas até então não tem tido resposta do
Governo.
"Eu não sei o que está a acontecer para o que o projeto
não seja realizado. Mas é uma preocupação. Estou a deixar esta mensagem para
que a sociedade possa ajudar neste sentido. O nosso foco é a paz e a
reconciliação", apelou.
Enquadrar nos comandos e não nas esquadras
Momade afirmou que não se pode falar da reconciliação
enquanto a outra parte "não quer envolver os membros da RENAMO que estão a
ser desmobilizados" nas forças policiais. "É o que foi acordado e não
estamos a inventar", sublinhou.
"Temos o caso daqueles dez [ex-guerrilheiros] que estão
lá há três anos. Nós esperávamos que depois da sua formação estariam no Comando
Geral da Polícia, mas estamos a ver que todos foram colocados nas Esquadras, o
que é o que nós acordamos na mesa das negociações", disse o presidente da
RENAMO.
Momade pediu ao Governo da FRELIMO que crie a possibilidade de enquadrar os 262 oficiais do partido como formar de garantir paz e reconciliação. E exigiu também que os 36 oficias que devem ser enquadrados na Unidade de Proteção de Altas Individualidades.
Aos jornalistas, Momade entende que é preciso haja uma
pressão da sociedade civil moçambicana e a comunidade internacional para que o
Governo cumpra com o acordado.
Acordo em risco?
Filipe Nyusi e Ossufo Momade assinaram um Acordo de Paz e
Reconciliação em agosto de 2019, um entendimento que prevê, entre outros
aspetos, o Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) do braço armado da
Renamo, envolvendo cerca de 5.000 membros.
Embora haja desenvolvimento no processo, com quase a metade dos guerrilheiros já desmobilizada, o grupo de Mariano Nhongo continua um desafio para as partes e todas tentativas de aproximação para um diálogo com a dissidência fracassaram.
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