Oito indivíduos desconhecidos (mas que se apresentaram como
agentes da Polícia da República de Moçambique e estavam acompanhados por um
suposto oficial ruandês) sequestraram, no passado dia 23 de Maio, o jornalista
e antigo Director da Rádio e Televisão Ruandesa cristã Amazing Grace
(pertencente à etnia Tutsi), Ntamuhanga Cassien, que se encontrava exilado no
país há quatro anos. O sequestro teve lugar na Ilha de Inhaca, onde a vítima
exercia a sua actividade comercial.
A informação é avançada pela Associação dos Ruandeses
Refugiados em Moçambique (ARRM), num comunicado de imprensa, recebido na nossa
Redacção. De acordo com a nota, devido à natureza dos indivíduos, a vítima
enviou uma mensagem aos membros da sua comunidade, dizendo: “Now my life is in
danger. I am sending SOS to the God fearing nations of the earth!”, ou seja,
“neste momento, a minha vida está em perigo. Estou enviando SOS para as nações
tementes a Deus da Terra!”.
Ntamuhanga Cassien, de 37 anos de idade, é um jornalista e
youtuber, conhecido como um acérrimo crítico das políticas do actual Presidente
da República, considerado ditador e exterminador de todos os seus opositores.
Segundo a ARRM, Ntamuhanga Cassien sofreu perseguições no
Ruanda, tendo sido preso e condenado a 25 anos de prisão, porém, acabaria
fugindo da cadeia e requerido asilo político no país. No Ruanda, é acusado de
pretender organizar actividades terroristas.
A nota refere que Cassien fazia parte de um grupo de três
activistas sociais, sendo que dois desapareceram misteriosamente naquele país
da África Oriental. Trata-se de Niyomugabi Gerard e Kizito Mihigo, que a ARRM
acredita terem sido silenciados, há sete anos, em operações de queima de arquivo,
supostamente liderados por Kagame.
A agremiação revela que, em Kigali, capital do Ruanda, os
jornalistas ligados ao sistema supostamente confirmam que o governo ruandês
aguarda a extradição de Cassien. A associação acusa as autoridades moçambicanas
e ruandesas de terem violado os instrumentos normativos internacionais de
defesa dos direitos dos refugiados, dos quais são signatários.
Por isso, a organização solicita uma intervenção urgente do Governo moçambicano, dada a fragilidade a que os refugiados estão expostos. Entretanto, há quem acredita que a acção faça parte de um acordo entre o Governo ruandês e o moçambicano, visando eliminar os opositores de Paul Kagame. CARTA
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