A Renamo e o MDM contestam a inoperância do Serviço de Informação e Segurança
do Estado (SISE), sobretudo em ações de
prevenção contra os terroristas em Cabo
Delgado. Acusam o SISE de espionar
políticos e de investir em fofoca.
Parte dos segmentos da sociedade moçambicana, sobretudo os partidos políticos da
oposição com assento no Parlamento, entende que o SISE
podia ter evitado o ataque
terrorista a Palma, no passado dia 24 de Março, porque
relatos indicam que os insurgentes usaram a mesma técnica de Mocímboa da Praia.
No passado dia 24 de Março,
os terroristas atacaram a vila
de Palma, parcela do País
que acolhe o maior investimento estrangeiro em África
de Óleo & Gás, em três direções: no cruzamento de Pundanhar-Manguna, via Nhica
do Rovuma e no aeródromo.
Os terroristas, segundo relatos, cortaram as linhas de
comunicação, fecharam as
principais vias de entrada e
saída rodoviária, cujo epicentro era a vila de Palma, mas
com o objectivo de tomar o
aeródromo.
Aliás, há informações que
dão conta de que as incursões dos terroristas em Palma foram feitas a partir da
zonas residenciais, o que dá a
entender que estavam misturados com a população.
No ataque a Mocímboa da
Praia, os insurgentes cortaram a energia elétrica, na
sequência da destruição da
subestação de Awasse, cortaram as linhas de comunicação, criaram barricadas
nas principais entradas da
vila, tendo tomado o porto e
o aeroporto. Inclusive, infiltrados nas comunidades, os
terroristas atacaram o quartel das Forças de Defesa e
Segurança, comandando a insurgência de dentro para fora
do distrito, o que facilitou a
ocupação do porto e aeródromo.
No entanto, o último ataque
está a levantar questionamentos sobre a operacionalidade do SISE, uma vez que
Mocímboa da Praia esteve
tomada pelos terroristas e
era previsto que os terroristas avançassem para Palma,
tendo em conta a distância
de 70 quilómetros a sul da
área de construção do projectão de exploração de gás natural da Total.
O SISE vive de fofocas
O Secretário-geral (SG) do
MDM, José Domingos, caracterizou o Serviço de Informações e Segurança do Estado como de fofoqueiros, por
viverem espionando os políticos ao invés de dedicar-se ao
Teatro Operacional Norte.
“O SISE é a entidade propícia para garantir a segurança
e informação do Estado, mas,
como temos dito, o SISE vive
de fofocas, escutando chamadas telefónicas dos políticos
ao invés de focar-se nos problemas que assolam o País,
como é o caso vertente de
Palma”, disse o SG, frisando
que o SISE deveria garantir
a integridade territorial e soberania.
Por outro lado, José Domingos espera uma acção enérgica do SISE para reverter
o cenário, infiltrando-se nas
fileiras dos insurgentes e da
população, porque todos estão em debandada, sendo
o momento propício para o
efeito.
Por seu turno, o porta-voz
da Renamo, José Manteigas,
disse ao MAGAZINE que a
Secreta moçambicana negligenciou todos os sinais de
agressão externa que eram
relatados desde 2017, quando
começaram as primeiras incursões terroristas.
“Devemos questionar como o
SISE não foi capaz de ter informações depois do primeiro
ataque em Outubro de 2017,
de forma a advertir o Estado para se equipar e preparar para os próximos ataques
terroristas”, declarou.
Manteigas questiona por que
passados quatro anos após
a eclosão da insurgência em
Cabo Delgado o SISE ainda
não foi capaz de identificar
os financiadores da guerra e
a motivação dos terroristas
que matam de forma brutal
os moçambicanos.
O também deputado da Renamo na Assembleia da República recuou no tempo
para referir que depois da
assinatura do Acordo Geral
de Paz, em 1992, nunca houve um investimento de vulto
no seio das Forças de Defesa e Segurança, acrescentando que “o Estado é o grande
responsável pelo fracasso do
SISE no Teatro Operacional
Norte”.
Frelimo defende trabalho do
SISE em Cabo Delgado
Entretanto, o porta-voz da
Frelimo, Caifadine Manasse,
tem uma opinião contrária da
Renamo e do MDM sobre Renamo e do MDM sobre a
actuação da Secreta moçambicana.
Manasse garante ao MAGAZINE que “se o SISE não estivesse a trabalhar os terroristas já
teriam ocupado todos os distritos de Cabo Delgado”, frisando que “as Forças de Defesa
e Segurança estão a colaborar
todas num todo”.
Acrescentou que o terrorismo
é um fenómeno complexo e as
tropas moçambicanas estão
a viver um momento atípico,
devido ao modus operandi dos
insurgentes, pelo que Caifadine Manasse ataca as vozes
contrárias que denunciam a
inoperância do SISE dizendo que, quando não se está
no campo da batalha, sempre há vozes críticas porque
não compreendem a complexidade da situação.
Importa referir que a violência em Palma provocou
uma crise humanitária de
quase 700 mil deslocados e
mais de duas mil mortes,
sendo que o movimento terrorista Estado Islâmico teria já
reivindicado o controlo da vila
de Palma junto à fronteira com
a Tanzânia.
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