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Eduardo Mondlane ganhou as eleições na FRELIMO por 2 votos de diferença

 




Iniciaram-se depois as perguntas formuladas pelos jornalistas. Um elemento da emissora da Beira perguntou se Simango estava em Moçambique provisoriamente ou se iria ficar?

Simango: Venho para ficar e trabalhar.

Mas, qual é exactamente o objectivo da sua vinda a Moçambique"? - perguntou o mesmo jornalista.

Simango: Como sabem, durante muitos anos trabalhei para encontrar uma solução para o problema de Moçambique. Venho agora colaborar com outros que estão cá e, juntos encontraremos essa solução.

Como entende uma independência de Moçambique?

Simango: Acho que é uma situação natural. Um País depois de atingir uma certa posição deve ser independente. O Governo Português reconhece esse direito, essa necessidade. Não é uma situação estranha. É uma medida que esta em conformidade com a política actual do Governo.

Quais as relações entre a Coremo e Jorge Jardim?

Simango: Não conheço nenhuma relação específica. Não conheço nada

Indagado sobre as razões do seu afastamento da Frelimo, Uria respondeu:

"Não é altura de discutir divergências. Realmente constituiram uma página importante na história da nossa luta pela independência, mas posso dizer em poucas palavras que foi realmente uma série de coisas que pensei constuirem contradição dos estatutos da Frelimo. Por exemplo, dizia-se que estou contra este e contra aquele. Eu penso que devíamos trabalhar e que as liquidações fisicas no seio do movimento levaram-nos a destruir-nos a nós mesmos". Um jornalista do Notícias da Beira perguntou a Simango o que pensava ele do referendo que o Governo português tencionava levar a cabo, algo que a Frelimo rejeitava.

Simango: Tenho que saber outros detalhes e só entao responderei a sua pergunta.

Quando um jornalista pretendeu saber se Uria Simango reconhecia a Frelimo como a única organização com direito à discussão da independência de Moçambique, o reverendo referiu que isso seria a imposição da vontade de uma minoria, acrescentando:

"O processo único e capaz de garantir concórdia é todos discutirem o problema e o povo moçambicano decidir democraticamente quem, é capaz de o orientar cabalmente. Se o Governo português entregar Moçambique, Angola e Guiné a grupos únicos, não será por vontade da maioria. Então a guerra continuará’’.

Uria Simango referiu depois que fora ele e mais alguns que haviam iniciado a luta em Moçambique; que haviam criado os estatutos da Frelimo; e que fora ele e mais alguns que haviam iniciado a revolução. Referiu que discutir a independência de Moçambique apenas com a Frelimo constituía um erro. Sobre se ainda tinha autoridade sobre alguns guerrilheiros da Frelimo, Simango respondeu:

"Devo dizer que quando fui obrigado a sair de Tanzania, muitos abandonaram a Frelimo. Militares e elementos da administração Central da Frelimo. Depois foi feita uma rusga e muitos foram presos. Alguns ainda estão. Os senhores devem cornpreender que o facto de trahalharmos num País neutro criou muitos problemas a nós. Há indivíduos que estão na Frelimo não por sua livre vontade. Não há dúvida nenhuma que nas últimas eleições na Frelimo, o Simango perdeu a presidência por dois votos devido a uma delegaçõo de 12 pessoas pró-Simango ter sido ameaçada de morte. O Simango ganharia por 15 votos. O Samora Machel não foi eleito. O Congresso realizou-se numa atmosfera impossível e, como disse, doze pessoas foram impedidas de participar".

Para terminar, Joana Simeão deu por encerrada a conferência de imprensa e rematou: 'Nós não somos contra a Frelimo. O problema fundamental é que temos de mudar as circunstâncias de confrontação entre o exército português e as pessoas que estão lá fora. A Frelimo que entre e discuta connosco. Se o povo é soberano. então vamos perguntar ao povo que governo quer qual a política estrangeira, etc. Que se converse cá dentro e não em Lusaka e noutros pontos. Que, como viram o Uria, vejam o Samora"

*Extractos da reportagem da chegada de Uria Simango a cidade da Beira. Os sublinhados são do auror. (NOTÍCIAS DA BEIRA n" 8871 de7 de Julho de 1974).

Extraido do livro URIA SIMANGO - UM HOMEM, UMA CAUSA

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