Por: Zulfikar Abdurremane e Ricardo Mutita
Quem
é que nunca foi travado por um famoso doutor da lei, durante o exercíciode suas
funções? Seu superior hierárquico, seu colega, amigo, conhecido ou até mesmo um
simples fulano de “X” que, no maior uso de suaspuras competências intelectuais,
naquele tom de océlebre doutor da lei, apareça com um apontamento decorreções
sem espaço para outras opções nem debate sobre o assunto… - Certamente que
todos nós.
Segundo
o Evangelho da Santa Igreja, na época de Cristo, havia os chamados guardiões da
lei judaica, ou seja, doutores da lei que, de tanto vangloriarem-se de
“sabe-tudo”, perdiam a oportunidade de aprender com os mais novos, menos experientes
e/ou pessoas abaixo do seu nível de escrita, e com Jesus não foi diferente, mas
a posiçãoDele foi de contestação em relação a estes indivíduos.
Nos
dias de hoje, dividimos, a quase todo o momento, as nossas ideias, experiências
e planos de vidacom muitos e vários doutores da lei: uns cidadãos propagadores
dos dogmas científicos e outros guardiões da cultura erudita, todos cursantes
deDoutoramento emLeis Contraditórias de Opiniões e Desencorajadoras de Acções,
mas que nunca trazem soluções.
Já
não importa a diferença entre estes, no fim das contas, percebemos que somos
todos um bando de intelectuais fingidos: fingimos ter uma alta capacidade de
discernimento só para não sermos vítimas de aconselhamentos, fingimos ser uns
tipos que preferem o silêncio a diálogo só para não rebaixarmos o nosso orgulho
e complexo, fingimos estar mais preocupados com a sociedade só para não revelar
as nossas vaidades,fingimos viver uma plena felicidade só para dar um “showoff”à
popularidade, fingimos ser grandes crentes só para conquistar e abusar da
confiança de toda a santidade,com capítulos e versículos fascinantes, fingimos
fingir que fingimos não estar a fingir, fingimos que somos resilientes só para
nos pôrà prova que, como racionais, podemos jogar do lado da razão com atitudes
acertadas, mas acabamos, sempre, por provar que a carne é mesmo fraca e que a
nossa resiliência reside na resistência à mudanças. Enfim,fingimos serdoutores “sabe-tudo”
só para não termos de ler e ouvir outros autores.
Contudo,
não fingimos que não temos a noção que, enquanto fingimos ser doutores da lei
dos novos tempos, propagam-se os dogmas sociaisque prejudicam o progresso das
condições de vida da humanidade e, consequentemente, paralisam-se as teorias
existentes e descobertas das descobertas de novas fórmulas para construiro bem-estar
social que tanto almejamos.
Diante
de inúmeras situaçõesque o país, principalmente, vive, achamos que algo
podemelhorar se começarmos, agora, a inverter os dados comportamentais, as
nossas convicções relativamente à maneira de olhar para o mundo actual.Ora
vejamos, em quase todos os sectores, há profissionais com uma postura idêntica
aos doutores da lei do tempo de Cristo, com o pensamento de que só eles detêm
conhecimentos maduros e credíveis, só eles viveram uma boa infância, juventudee
ninguém mais de fora, da “nova-guarda”, os pode contrariar. Os tais doutores da
lei marginalizam tudo quanto é feito pelajuventude actual, seja no modo de
pensar, planear, se vestir, se expressar, dançar, conversar, se informar, comer,se
divertir, sonhar, e fazer escolhas por si mesmos - tudo o que estes fazem esta
errado e inadequado.
Não
somos jovens o suficiente para saber tudo nem queremos afastar os mais velhos
da esfera produtiva, mas achamos que está na hora de pararmos com todas estas
construções dogmáticas etendências dominantes de “nos meus tempos fazia-se, era
e PONTO FINAL”, e convertermo-nos em doutores da lei humanizados e emancipados e,
portanto,começarmos a acreditar que para melhorarmos, praticamente, a nossa
performance, tanto pessoal, profissional quanto social, precisamos de estar em
comunhão com os outros e sabermos mastigar as nossas diferenças, sem ter que
impor ou “doutorar” leis em, absolutamente, NADA; Como membros de uma
sociedade, não temos como travar essa onda mágica de estar em constante
processo de aprendizagem, obter novos conhecimentos bem como aprimorar aqueles
que já possuímos, para que, assim,a “nova-guarda, possa ter um ambiente
educativo relacional com os doutores da lei humanizados e emancipados que
reconhecem e respeitam valores que são diferentes dos seus.

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