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O psicólogo Nhaueleque fala sobre o namoro na Adolescência e na Juventude

 



Por: Izaldo Matavele

Atualmente vivemos uma era onde as relações são cada vez mais abertas, contudo houve tempos em que se namorava por cartas, em que os parceiros eram conhecidos por fotografia e as mulheres não tinham tanta autonomia sobre os seus próprios corpos e desejos como são hoje.

É sobre o namoro entre os adolescentes e jovens que o ContoAchado conversou com o psicólogo Lóurman Nhaueleque. Este que começa por esclarecer que o conceito namoro, varia de sociedade para sociedade. Mas olhando para nossa sociedade que tem sofrido influência da cultura ocidental.


“Pode se afirmar que é uma fase preparatória para uma vida conjugal mais sólida e estável em que o casal de forma ponderada verifica a compatibilidade e daí decidir se há condições para um compromisso mais sério que é a contração do matrimónio”. Todavia, Nhaueleque salienta que não se pode falar do namoro em qualquer contexto sem que haja um acordo pré estabelecido entre as partes, mesmo que esse cenário seja manipulado por pessoas que distorcem os reais objetivos.



Namoro na Adolescência e na Juventude

Sendo que na adolescência existe uma série de profundas mudanças, questionamos ao psicólogo como é encarado o namoro nesta fase do crescimento olhando para a nossa realidade, tendo ele referido que “infelizmente os nossos adolescentes são fortemente influenciados, não propriamente pela cultura ocidental em si, mas por aquilo que se vende nos meios de comunicação. Poucas são as vezes em que a introdução deste assunto é feito num contexto familiar, a maioria, incluindo os que têm mais contacto com os seus pais, têm o primeiro contato com o namoro através da televisão”.


O psicólogo, alerta ainda para a falta de cuidado dos adolescentes que têm “comprado” a imagem vendida pela indústria cinematográfica que é de muito liberalismo, onde as pessoas podem fazer e desfazer sem sofreram represálias, satisfazendo-se mutuamente e quando a paixão acaba, simplesmente saem dessa relação para outra. O que segundo o nosso entrevistado é motivado pelo facto de “ muitos entrarem num relacionamento sem saberem exatamente o que buscam, apenas, procuram preencher os seus vazios por momentos de euforia proporcionados por um parceiro”.


Lóurman Nhaueleque vai mais longe ao afirmar que “os nossos adolescentes e jovens são emocionalmente vazios e essa passagem de relação para outra, é na verdade uma tentativa de minimizar o seu sofrimento diante de uma sociedade excessivamente competitiva e comparativa, em figuras populares que levam um determinado estilo de vida”. Sendo que muitos são felizes aparentemente daí que as suas relações são breves e de fácil dissolução.


Quanto a situações de vazios existencial Nhaueleque defende que “caso estes não recebam estratégias funcionais de resolução por parte dos jovens, as manifestações, podem mudar ao envés de relação instantâneas, poderá por exemplo, buscar preencher, através do consumo de álcool, compulsão por compra ou de outras maneiras”.



Duração de relacionamento

Olhando para a duração de um namoro e para felicidade do casal, um dos factores para que isso aconteça é a preparação que a juventude recebe dos adultos. “Quando entramos num contexto devidamente orientados , esclarecidos sobre os procedimentos, riscos e objetivos a nossa chance de sucesso dentro desse processo é maior”.


O psicólogo Nhaueleque destaca aqui o facto dos pais conhecerem a realidade em que os seus filhos vivem diferente da televisão que vende um produto acabado e de forma universal. Porém, o acompanhamento referido pelo nosso entrevistado é no sentido de orientação sem decidir no relacionamento de forma directa “porque não estamos na era dos casamentos arranjados e ter de forçar relacionamento não é saudável”.


"O acompanhamento exigiria da parte dos adolescentes maior responsabilidade na escolha, na postura dentro da relação e na necessidade de se dar satisfação sobre o término do namoro”.


Por fim, Lóurman aconselha aos pais para que conversem mais sobre questões ligadas a sexualidade e relacionamentos de forma aberta e estejam em condições de receber dúvidas sem terem uma postura aversiva e diz ser interessante que é mais simples que um pai fale de álcool e drogas, do que falar de algo inevitável como é sexualidade.

Para os adolescentes e jovens, que prestem mais atenção na propaganda dos meios de comunicação. “ os filmes e as novelas são um produto preparado, estruturado estrategicamente para vender algo, não podemos comparar ou importar directamente para as nossas vidas, se não seremos jovens frustrados e depremidos”.


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