Nas paragens de transporte, nos mercados e noutros sítios onde se prestam serviços públicos é notavel a contínua consentração de pessoas em grande número ultrapassando o recomendado e se expõe desse modo ao risco de contrair a covid-19.
É fazendo análise desse cenário que o psicólogo Lóurman Nhaueleque refere que “apesar dos esforços que vão sendo envidados para desconstruir os vários mitos que envolvem o novo Corona vírus, grande parte da sociedade moçambicana, continua a pensar que a covid-19 é uma doença dos outros, infelizmente".
Refere Nhaueleque em entrevista ao
Conto achado e sustenta a sua afirmação no facto de se ter construído e propagado o mito segundo o qual o indivíduo africano por conta da cor da pele (negra) e por questões ligadas ao clima é imune a doença que tem assolado o mundo nos últimos meses.
“Apenas uma minoria, mais instruída e que têm acesso a informação diversificada conseguiu desconstruir esses mitos e tem adotado uma postura menos negligente e outro grupo que é a maioria mantém um estilo de vida normal, uns por desconhecimento outros por desconsideração".
Numa outra abordagem, falando sobre a postura do estado em relação ao modo como decorem as aulas do ensino primário e secundário, diz que há um esforço da parte do governo para que continuem porém, pecam por ignorarem as especificidades sociais e financeiras dos alunos. “Nós já vivemos numa realidade precária, em que o aluno num contexto de aprendizagem presencial normal, não tem condições ideais e agora exige-se que esse mesmo aluno tenha acesso a tele escola sem se verificar se primeiro esse indivíduo tem recursos."
Nhaueleque vai mais longe ao dizer que essas "estratégias que podem ter sucesso num contexto urbano ou provavelmente seja um programa importado e que diante da nossa realidade não surte o efeito esperado.”
Afirma também que o distanciamento social tem evidenciado as nossas fragilidades, “isso porque as pessoas que numa fase como esta, têm o privilégio de trabalhar e estudar em casa são indivíduos que já gosavam de algum privilégio social, muito antes do distanciamento social e outra camada que produz o que consome diariamente, não pode se dar ao luxo de se manter em casa por 30 dias. O confinamento social tem duas faces, uma camada elitizada que pode e tem condições de permanecer em casa e outra, a maioria que tem se exposto ao risco na busca do seu alimento.
Izaldo Matavele
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